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Relatos de Viagem

Atacama 2018

05 de julho de 2018

Bastidores da expedição

Muito merecidamente, o Atacama já está virando calendário oficial de nossas expedições fotográficas. Seis meses após nossa última ida para lá, já estávamos de volta. E em 2019 também é quase certo que retornaremos!

O Destino

O deserto mais seco do mundo atrai particularmente os brasileiros. Perambulando pelas ruas de San Pedro, às vezes mais fácil ouvir português que espanhol – ou portunhol – pois de ambos os lados, as pessoas adaptam suas línguas para tentar se comunicar com seus interlocutores.

A relativa curta distância entre os dois países ajuda muito nesta popularidade, porém, por mais vezes que eu revisite o Atacama, sempre há muitas novidades em termos de fotografia de natureza. O clima e o relevo, muitas vezes hostis e desafiadores, promove constantes mudanças na paisagem. Ora neve, ora tempestades de ventos, ora calor escaldante, outras vezes um frio paralisante… este é um deserto que pulsa vida, energia e me instiga cada vez mais.

Este ano, resolvemos alterar a época do ano para nossa expedição. Desta vez fomos em março, um mês após o localmente conhecido inverno altiplânico, fenômeno que embora ocorra oficialmente em pleno verão do hemisfério sul, caracteriza-se por um intervalo em que a umidade trazida da Floresta Amazônica pelos ventos, aterrissa sobre o norte dos Andes, ocasionando neve nas montanhas e até mesmo alguma chuva no deserto, como na cidade de San Pedro.

Como não queríamos correr grande risco de que dias nublados e chuvosos atrapalhassem nossos planos fotográficos, esta seria uma ótima temporada, além de que, para nossa extensão à Bolívia, seria um período bem estratégico, pois espera-se, nesta época, o Salar de Uyuni alagado, propiciando aquelas fotos clássicas de reflexos no deserto de sal.

Amanhecer na Laguna Lejía

 

O Grupo     

Em algumas expedições, vamos praticamente em família, pois há muito mais figurinhas repetidas – as pessoas que já viajam conosco há algum tempo. Isto é ótimo, claro, mas é também muito bom recepcionar um grupo onde a maior parte das pessoas é novidade para mim. É mais desafiador, promove novas interações e partilhas. E foi esta a tônica da viagem. Muitas e felizes trocas, além de risadas, piadas, olhares, talentos e maneiras de ver o mundo. Família Travessia crescendo de vento em popa, isto realmente nos inspira !!!

A Viagem

A Expedição, propriamente dita, foi intensa. Como não poderia deixar de ser. Se por um lado não presenciamos amanheceres e entardeceres multicoloridos, por outro, não tivemos sequer um dia feio, sem luz, pois o sol estava sempre presente, e os céus de um azul que dispensava, muitas vezes, o uso do filtro polarizador circular. Frio e vento também não atrapalharam. Pelo contrário, fez bastante calor fora do altiplano. Fotografia de natureza tem disso. Cada época que você fotografa um local é diferente. Especialmente em locais mais extremos, como o Atacama. Em setembro do ano passado, tivemos que conviver muito com os fortes ventos, amanheceres congelantes e alguns dias mais desafiadores, em termos de luz. Houve alguns atrativos que ainda estavam fechados devido ao super rigoroso inverno de 2017, porém outros estavam peculiarmente mais interessantes.

Este ano já foi diferente. Por exemplo: desta vez conseguimos colocar em prática o plano de fotografar, refletidos na Laguna Lejía, os vulcões Lascar, Pili e Águas Calientes.

Aquele amanhecer foi algo mágico. Toda a ansiedade e expectativa coletivas foram traduzidas em encantamento. Na total ausência de vento, céu e montanhas se rebatiam fielmente nas calmas águas do grande lago. Um espetáculo de simetria da natureza. Não houve quem não cometesse o pecado do exagero, fotografando até muito mais que de costume. Depois de tanto fotografarmos, já se aproximando a hora do retorno a San Pedro, não me lembro agora quem me disse isto, mas foi a melhor frase para aquela situação:  -Tom, vou guardar minha câmera na mochila, virar as costas para esta paisagem e não olhar mais para trás, pois do contrário não sairei daqui hoje.

Vários outros momentos foram também memoráveis: nosso almoço com vista panorâmicas para as Lagunas Altiplânicas, um verdadeiro banquete no meio do nada, o pôr do sol rosado no Vale da Lua, a beleza intrigante das Lagunas Escondidas de Baltinache e os Salares de Atacama e Águas Calientes, com suas peculiares populações de flamingos.

A Extensão à Bolívia

Embora bastante rústico e desafiante, o altiplano Boliviano permanece incrível. Uma terra intocada, com praticamente nenhuma infraestrutura e, com isso, quase sem impactos naturais, promovidos pelas interações humanas. É daqueles destinos que para muitos é uma experiência fantástica, porém não será repetida. É muita dificuldade junta: poeira, calor, frio, comida e instalações mais limitadas e falta de planejamento para o turismo. Mas a natureza selvagem, indubitavelmente compensa tudo isto. Para os aventureiros que encararam conosco mais esta parte, acredito que o saldo que ficou foi muito positivo. As imagens falam por si, sempre.

Grande abraço, e quem sabe até o Atacama 2019 ! Em breve divulgaremos as datas e mais detalhes!

     

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Fotógrafo antes mesmo de saber disso. Minha fotografia nasceu do observar e conviver com a natureza, com o sertão e seus sertanejos.

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