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Relatos de Viagem

Chapada Diamantina – 2017

22 de dezembro de 2017

Bastidores da expedição

Morro do Camelo e Serra dos Brejões ao Por do Sol

Por: Tom Alves

Pelo terceiro ano consecutivo, nossa agenda de expedições contemplou a belíssima Chapada Diamantina. Eu sou até suspeito para falar desta região, quem me conhece sabe que tenho um pezinho na Bahia, ainda mais na Chapada! Faz tempo perdi a conta do número de vezes que já visitei Lençóis, Igatu e redondezas. E o mais interessante é que a cada visita, saio da Chapada ainda mais apaixonado. Bem, mas isto é tema para outra conversa. Gostaria, neste post, de falar um pouquinho sobre como foi nossa última experiência de conduzir um grupo pela Chapada Diamantina.

Nossa viagem começou sob bastante chuva. Apesar de novembro não ser um mês de muita água por lá, desta vez São Pedro não poupou esforços para acalmar a grande seca que assolava a região. Tanto que nossos 4 primeiros dias foram de uma logística mais complexa, realizamos algumas adaptações no roteiro, mas tudo correu muito bem. Se por um lado, tempo nublado e chuvoso poderiam ser obstáculos, por outro, o grupo super animado e bem-humorado contribuiu para que pudéssemos sempre encontrar possibilidades fotográficas. E o lado positivo da chuva é que as paisagens estavam bastante verdes e os rios e cachoeiras caudalosos!!! Fizemos fotos de alguns lugares como há muito tempo não era possível.

Já nos últimos 3 dias de viagem, o céu voltou a brilhar. Deixamos a cereja do bolo para estas datas e cartões postais como os Morros do Pai Inácio e do Camelo, Gruta da Lapa Doce e da Pratinha e Cachoeira do Mosquito pudemos visitar com o tempo limpo!

Como de costume em todas as nossas expedições, sempre deixamos um dia livre no roteiro, seja para uma pausa para descanso, ou até mesmo para que os participantes, de maneira individual ou coletiva, possam definir algum tipo de roteiro específico. Na Chapada, a sugestão que eu costumo dar para quem gosta e possui disposição física para um trekking intenso, é visitar a Cachoeira da Fumaça, que com seus 381m de queda d’água, é a segunda maior cascata do Brasil. Como a caminhada é bem pesada, não incluímos no roteiro oficial. Mas acho que eu fiz tanta propaganda, que desta vez, o grupo inteiro se motivou e resolveu encarar este desafio. Assim, numa manhã bem nublada, saímos de Lençóis em direção ao Vale do Capão, onde iniciamos a trilha de quase 5h até a majestosa Fumaça, na parte de cima da queda. O clima ameno foi até bem propício para a caminhada.

Agora começa a parte incrível da coisa: quando chegamos na beira do penhasco de onde despencava, literalmente no vazio, um rio bem furioso, a primeira sensação foi desapontamento. Um forte nevoeiro impedia que avistássemos qualquer coisa mais distante que uns poucos metros à frente de nossos olhos. E para piorar, a chuva havia retornado, fina e gelada. E o vento, soprava cada vez mais forte. Era impossível esconder a angústia e decepção por estar diante daquela realização e não se sentir realizado. Para mim, era muito triste não poder compartilhar com o grupo a magnitude que eu já conhecia daquele lugar. Para outros, todo o esforço e superação da caminha parecia ter sido em vão.

Aliás, verdade seja dita: havia uma única pessoa que ainda se mantinha confiante e efusivo. Nosso guia Cleiton. Entre gargalhadas contagiantes, as piadas e estórias engraçadas, ele dizia e repetia: o tempo vai melhorar pessoal, daqui a pouco o vento levará estas nuvens e vocês vão entender porque estão aqui e agora.

Alguém ainda tem dúvidas do que aconteceu depois disto? Como numa profecia, “São Cleiton” estava certo. Mal terminamos de fazer nosso lanche e o tempo começou a abrir. Numa janela de poucos minutos, a forte cerração foi cedendo espaço para a paisagem e o enorme desfiladeiro que compõe a garganta que culmina na Cachoeira da fumaça foi se descortinando à nossa frente. Selvagem, intocada, grandiosa, são adjetivos para tentar descrever aquela cena. O Cânion da cachoeira da Fumaça, na minha opinião, é um dos lugares mais impressionantes do Brasil. E sob um céu dramático como o daquele dia, a sensação fascínio era ainda mais intensificada.

Com vocês, mais algumas imagens desta semana intensa e MEMORÁVEL.

 

Fotógrafo antes mesmo de saber disso. Minha fotografia nasceu do observar e conviver com a natureza, com o sertão e seus sertanejos.

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