Relatos de Viagem

Relato Islândia 2019

26 de junho de 2019

Bastidores da expedição

Por Tom Alves

A Islândia, aquele pequeno país insular ao norte da Europa, vizinho da Groenlândia e próximo do polo norte, pode ser pouco lembrado pela maior parte da população mundial. Talvez por sua pequena densidade demográfica, economia low profile e frio intenso. Mas quando o assunto é paisagens ou natureza bruta, a Ilha está no imaginário de 9 em cada 10 fotógrafos. Seja no verão ou no inverno, a Islândia nos presenteia com cenários surreais, muitas vezes difíceis de acreditar. Tudo muito arrebatador, de beleza sem escalas.

Nós da Travessia, já namorávamos o destino há algum tempo: e a ideia era escolher uma viagem no fim do inverno, pois no equinócio teríamos uma ótima época para fotografia de paisagens e ao mesmo tempo, da tão especial, Aurora Boreal. Em março deste ano, realizamos o sonho de promover uma viagem fotográfica para a Terra do Fogo e Gelo.

Nosso parceiro nesta viagem foi o Alecsander Paredes, proprietário da Explore OFF, guia e fotógrafo que já havia trabalhando conosco no Marrocos. Após diversas viagens para lá e, portanto, com grande experiência no destino, ele nos preparou um roteiro perfeito para as experiências propostas. Posso seguramente dizer que nosso grupo, composto por 12 pessoas no total, viveu momentos absolutamente incríveis e inesquecíveis nesta viagem.

Preparativos:

Dois dias antes do início do roteiro, eu, Nataja e Alecsander já estávamos em Reykjavik, preparando os últimos detalhes e aguardando a chegada do grupo. A Islândia é um país muito selvagem, onde o clima pode mudar completamente em questão de poucos minutos. Por isto, instrumentos como aplicativos de previsão do clima, da atividade da aurora boreal, rádios comunicadores e até mesmo sistema de rastreamento satelital, nosso parceiro SPOT Brasil, são imprescindíveis para aumentar nossas possibilidades de antecipação a imprevistos e até mesmo, no caso do aparelho  SPOT GEN3, nos proporcionar a segurança de sabermos que contamos com um serviço contratado de resgate em áreas remotas, 24h por dia e com cobertura global, seja no topo do Monte Everest, ou numa estrada gelada, no meio do nada.

Encontro com a Aurora

A natureza, por vezes, nos prega algumas peças ou se mostra pouco colaborativa. Especialmente na Islândia, país muito famoso por seu clima altamente instável. Chover, nevar, dar sol, ventos furiosos e calmaria, tudo no mesmo dia, é absolutamente normal por lá. Há até mesmo um ditado local que diz: “Não está feliz com o clima? Aguarde mais cinco minutos.” Confesso que achei que fosse um certo exagero dos islandeses, mas não é, definitivamente.

Pois bem, falando nestes caprichos da natureza, nosso encontro com a aurora, infelizmente não se deu durante a expedição. Tentamos diversas noites, horas a fio em sua caçada, mas as noites de maior atividade do fenômeno eram justamente as mais nubladas e tempestuosas. Muito provavelmente a dona Aurora estava lá no céu, porém escondida por trás de espessas camadas de nuvens. Mas em nosso primeiro dia na Ilha e ainda quando aguardávamos a chegada do grupo, vimos, numa janela de uns 30 minutos, sua dança celestial. Não foi uma aparição muito forte, mas para quem estava no país a cerca de três horas, foi uma senhora boas vindas e nos encheu de expectativas por novos encontros, já com o grupo reunido. Mas como dito no início deste parágrafo, isto não voltou a acontecer. É a lei da natureza. A gente pode planejar, usar tecnologia, até rezar. Mas a última palavra é sempre dela. Pode frustrar, por vezes, mas este é o desafio que mais seduz e me faz ser um fotógrafo de natureza. Se fosse fácil, não teria graça, não é mesmo?

A Expedição

Falar de nossos grupos aqui nestes relatos já parece até clichê: eu sempre encho de elogios as turmas, ressalto o companheirismo, sinergia e alto astral das pessoas. Mas é a pura verdade. Somos muito felizes e sobretudo gratos pelas pessoas que viajam conosco: é muito mais que uma questão de afinidades de gostos, como fotografia e viagens. Há sempre conexões muito boas, sempre digo que pessoas leves atraem semelhantes. E vamos nos tornando amigos, eu e a Nataja brincamos que é a família Travessia que vai cada vez crescendo mais. Neste grupo não foi diferente: apesar de a maioria das pessoas serem clientes de primeira viagem conosco, a empatia foi total e os momentos alegres permearam a viagem.

Começamos nosso roteiro, propriamente dito, pelo círculo dourado, onde nos primeiros dias, visitamos cachoeiras impressionantes, como Gulfoss, Skógafoss e Svartifoss e o belo Parque Nacional Þingvellir, patrimônio mundial da UNESCO, onde caminhamos entre as placas tectônicas da América e da Europa. Visitamos também Geysir, o pai dos Gêisers, tanto que o nome destas fontes geotermais veio daí.

Caminhamos também pela maior geleira da Europa, o glaciar Vatnajökull, fotografamos a impressionante Lagoa Jökulsárlón, famosa por seus incontáveis icebergs, de todos os tamanhos, além de presenciarmos a praia mais inusitada de toda minha vida, composta por uma areia incrivelmente negra e banhada por blocos de gelo que formam um contraste incrível.

Duelamos incansavelmente com o clima indomável da Ilha, mas com bastante persistência e energia, conseguimos ótimas oportunidades de fotografia, algumas vezes com uma luz especial.

Dizer o que é mais bonito na Islândia é tarefa quase impossível, mas pensando em uma experiência como um todo, visitar as cavernas de gelo foi a coisa mais impressionante da viagem, e quiçá, de minha vida inteira.  Além de totalmente diferente de qualquer coisa já antes vista por mim, a própria caminhada de 3h, ida e volta, pelo meio do glaciar, somado ao impacto visual daquelas paredes brilhantes, ora, um azul profundo, ora um tom turquesa, transformaram a aventura no ponto mais alto desta viagem.

E assim foram nossos dias na Terra do Fogo e Gelo: intensos, felizes e memoráveis.

Saudades imensas. Agora é trabalhar para cumprirmos com nossa promessa: reunir o grupo novamente na Noruega, numa aventura com fiordes, paisagens estonteantes e quem sabe, a presença da dona Aurora!

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